Friday, December 22, 2006

Rotina

Toca o despertador. Abro os olhos. Nao acordo. Os esfrego. Desperto. Tomo um café. Abro a janela. Sinto o sol. Esquenta. Me atraso. Ligo pro chefe. Entro no carro. Mais um dia. Outro dia.
E foi quando o trânsito virou escultura urbana, que virou poeira.
Quando uma briga virou dança contemporânea em língua estrangeira.
O pobre virou rico comprando besteira.
E o descrente confiou, até bateu na madeira.
E foi assim que me senti liberta, ainda que sua prisioneira...

Tuesday, December 12, 2006

Hoje celebro a criação. Mesmo que baseada em falta de idéias: O Conto em que não Conto...

Se encontrava sem forma, uma pedra a lapidar mesmo. Aguardava uma espécie de revelação, sem saber que alguns mistérios simplesmente são. Acordou como todos os dias, demorando, olhos lacrimejando como que limpando sua visão para que cristalina, enxergasse a realidade melhor. Fez seu café amargo, na tentativa de acordar seus sentidos bruscamente, colocou qualquer roupa decente e caminhou com a mesma falta de confiança que lhe era tão familiar. Mas ao sair de casa, ao pisar seus sapatos machucados pela rotina se depararia com o que seria o primeiro dia do resto de sua vida.
Carlos, conhecido como Leitão, menos por sua forma física do que por sua pele rosada e risada nervosa que causava o embaraçoso som de ronc ronc, determinante para seu famoso parentesco com suínos. Não gostava do apelido, é claro, mas qualquer tipo de atenção era melhor do que nada. Sim. Esse é Carlos. Falta de auto estima corrompia suas entranhas. Trabalhava num daqueles trabalhos em que ninguém se interessa, que não gera papo em roda nenhuma. Nunca fez parte de círculo algum. Esportes? Problemas crônicos em seu joelho. Cartas? Problema ético com o vício da jogatina. Cervejinha pós trabalho? Fígado ruim. Nada o interessava, nenhuma atividade prendia sua atenção por tempo suficiente para que estabelecesse qualquer tipo de relação que fosse além dos cumprimentos coordenados pelo sol ou ausência de tal. Bom dia... Boa noite...
E o dias passavam, muitas folhas de calendários rasgadas mas poucas memórias nelas guardadas.

Monday, December 4, 2006

Felicidade é Arte....

Tanto tempo tem, quanto tempo faz.....

Ando com confiança, exibo o sorriso de quem entende felicidade.

Tanto tempo tem, quanto tempo faz....

Sinto o vento secando o meu rosto molhado pela água do mar.
Sim, mergulhei. Lavei a alma três vezes hoje. Yemanjá bem me notou.

Tanto tempo tem, quanto tempo faz...

Escrevo dançando com as palavras. Escrever é ritmo. Sigo sapateando as teclas me deliciando com o nascimento de frases que se encaixam. Que façam sentido ou que o percam completamente. Sejam bem vindas.

Tanto tempo tem, quanto tempo faz...

Ando pelos quatro cantos do mundo. Meu pensamento voa longe. E eu o espero. Com flores e ansiedade pelas estórias que ainda irei contar.

Tanto tempo tem, quanto tempo faz...

No silêncio encontro paz. Em músicas espanholas encontro paz. Nas ruas inclinadas em que chego ao topo do mundo encontro paz.

Tanto tempo tem, quanto tempo faz....

Continuo aprendendo que a vida nada mais é que uma soma de momentos bons que dividimos com eles, com elas, diminuindo o sofrimento e angústia que multiplicamos pela falta de compreensão de que tudo passa. E que não percamos de vista a proximidade de nossos corações. Somos um. Desejamos o mesmo. Com diferentes formas. Dores pinceladas em diferentes tons. Alegrias em diferentes passos.
Arte estimula. Arte alimenta. Talvez seja o caminho...